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  • Enfrentando a má qualidade do ar

    Veículos são os principais vilões na formação de ozônio nas grandes cidades

     

     

    Pesquisas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, realizadas com amostras de emissões veiculares colhidas em túneis da cidade de São Paulo, confirmaram que as substâncias destas emissões são as maiores responsáveis pelo excesso de ozônio registrado na Região Metropolitana de São Paulo. Os estudos mostraram também que a gasolina utilizada no Brasil é ainda mais nociva neste aspecto do que as gasolinas mais limpas (como a utilizada no estado da Califórnia nos Estados Unidos) e o etanol.

     

    Durante as análises, foram identificadas as classes e as espécies principais de compostos orgânicos voláteis (COV) — que em temperatura ambiente se apresentam na forma gasosa — com maior potencial para formar ozônio: os aromáticos, as olefinas, o eteno e o formaldeído. Todos estes são emitidos pela queima de combustível, confirmando que as emissões veiculares são responsáveis por cerca de 90% da formação do ozônio troposférico. Com base em um modelo matemático, também foram testados diferentes cenários, considerando, por exemplo, que em vez da gasolina utilizada no Brasil, toda a frota de veículos leves (não movidos a diesel) de São Paulo adotasse a gasolina refinada em uso na Califórnia – denominada “gasolina limpa” por conter menor quantidade de compostos aromáticos e olefinas. Comparado ao uso da gasolina comum, a utilização da gasolina limpa resultaria numa redução de cerca de 43% da formação de ozônio, quase a mesma redução obtida caso toda frota de veículos leves fosse abastecida somente com etanol. Ressalva-se ainda que mesmo a gasolina limpa emite uma série de outros poluentes, como o monóxido de carbono, sendo no geral mais poluente do que o etanol.

     

    É comprovado que uma alta taxa de ozônio nas camadas baixas da atmosfera (troposfera) causa ou agrava doenças respiratórias e alérgicas como rinite, otite, amigdalite, sinusite, bronquite e pneumonia. O nível considerado seguro pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) é de 160 microgramas do gás por metro cúbico (m3) de ar por uma hora de amostragem. Na cidade de São Paulo, medições feitas em 2004 chegaram a indicar mais de 200 microgramas/m3 de ar, que é o nível de atenção sugerido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

     

     

    Fonte: Agência USP, Luiza Caires, em 24/07/2008






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