Fabricantes de ônibus e caminhões oferecem veículos dotados de sistemas de segurança para evitar ocorrências
Quando o assunto é segurança no transporte rodoviário, o cenário ainda e bastante confuso. Não há dados precisos em relação ao número de acidentes na malha rodoviária de aproximadamente 1,8 milhão de quilômetros do país, dos quais apenas 146 mil asfaltados (rodovias federais e estaduais). Estatísticas extraoficiais indicam ocorrência de cerca de 40 mil mortes por ano nas estradas brasileiras. O Anuário Estatístico 2008 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com base no ano de 2007, mostra um total de apenas 632 acidentes em linhas interestaduais e internacionais de passageiros, com 288 mortos e 1.687 feridos. Mas a ANTT só reporta os acidentes nas rodovias sob sua fiscalização - cerca de 5 mil quilômetros de rodovias sob concessão por empresas privadas e que são operadas por 240 permissionárias, com 3.176 linhas de serviços interestaduais de passageiros e uma frota de 14 mil veículos.
A idade da frota de veículos é outro problema. Segundo a ANTT, pelo menos 50% do total tem mais de dez anos de fabricação. "A incerteza e indefinição das novas licitações prejudicam a renovação da frota de veículos. Nenhuma empresa vai querer se endividar com a compra financiada em prazos de 60 meses diante da possibilidade de ficarem de fora da operação. Isso pode até não aumentar o número de acidentes de trânsito, mas aumenta o custo, pois a manutenção de equipamentos com oito a dez anos sai bem mais cara", diz José Luís Santolini, superintendente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati).
Os fabricantes de ônibus e caminhões atuam em duas frentes: o desenvolvimento de tecnologia embarcada, visando dotar os veículos de sistemas que evitem acidentes, e programas de mobilização da comunidade ou programas educacionais específicos visando à qualificação e atualização dos motoristas.
A sueca Volvo, por exemplo, é pioneira na implementação de itens de segurança largamente empregados atualmente por toda a indústria automotiva. No ano passado, a empresa lançou o Safety Bus, o primeiro ônibus do país a incorporar o sistema de frenagem EBS (Eletronic Brake System), o ABS (Anti-lock Braking System) e uma caixa inteligente de câmbio (I-Shift), além do opcional EPS (Programa Eletrônico de Estabilidade), dispositivo eletrônico que reduz sensivelmente o risco de capotagem e derrapagem em curvas e situações emergenciais. Na área educativa, a montadora executa há 22 anos o Programa Volvo de Segurança no Trânsito, considerado uma referência nacional na discussão e mobilização da sociedade nas questões de trânsito.
A Scania também espera contribuir com a redução de acidentes nas estradas tanto na parte de desenvolvimento de novas tecnologias para melhorar as condições de segurança do transporte, como em ações junto à comunidade dos motoristas. Os veículos da empresa produzidos no país já saem com várias inovações, como os sistemas ABS, EBS, controles de tração e câmbio automático. A empresa desenvolveu outros recursos tecnológicos, que ainda não foram implementados nos veículos brasileiros, por questões de custos e também culturais, como os sensores que conduzem o veículo automaticamente para as linhas de tráfego das estradas, corrigindo a rota e avisando o motorista por dispositivo sonoro; além do "álcoolock", dispositivo que exige que o motorista sopre um bafômetro antes de ligar o veículo - se o condutor estiver alcoolizado, o veículo não funciona. A Scania realiza a competição Melhor Motorista do Brasil, focando no item segurança, onde o motorista é avaliado segundo seu conhecimento da legislação da operação do veículo em condições seguras, a forma de operar, de manobrar e de proteger o entorno do veículo.
Fonte: Valor Econômico, Genilson Cezar, 21/05/2009.
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